Geral26.06.12
Grandes eventos mobilizam o País e discutem modelos inclusivos e sustentáveis de desenvolvimento
Junho foi marcado por grandes eventos no País. No início do mês, em São Paulo, durante a Conferência Ethos Internacional 2012, especialistas discutiram “A Empresa e a Nova Economia - O que Muda com a Rio+20?”, antecipando a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que aconteceu dias depois no Rio de Janeiro (RJ) e reuniu líderes para discutir um modelo de crescimento econômico que tire as pessoas da pobreza e, ao mesmo tempo, preserve o meio ambiente.
O seminário do Ethos, que reuniu cerca de 1,1 mil participantes, incluiu debates com figuras-chave na discussão, como o subsecretário-geral da ONU e diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, o diretor-executivo do Greenpeace no Brasil, Marcelo Furtado, e o economista indiano, Pavan Sukhdev, que defende a necessidade de se contabilizar o custo ambiental da atividade econômica.

À frente do BNDES, Coutinho disse que a Rio+20 significa um passo adiante em termos de mobilização da sociedade, do setor privado e dos governos em direção a uma agenda mais consistente que associe desenvolvimento e inclusão social e produtiva na discussão da sustentabilidade. Para ele, “o desenvolvimento é necessário, contanto que não se repita o padrão altamente emissor de carbono". "É preciso criar uma alternativa conciliadora”, conclui.
foto: Fernando Manuel
Segundo o Worldwatch Institute (WWI), instituto internacional de pesquisa em meio ambiente sediado em Washington (EUA), a população mundial já consome 50% mais recursos naturais renováveis do que o planeta é capaz de recuperar. E apenas 16% são responsáveis por 78% de todo o consumo. Se todo o mundo gastasse como os habitantes mais ricos do planeta, seriam necessários quase cinco planetas para suprir essa demanda. Para reverter esse quadro, uma das saídas é estimular o consumo responsável e incentivar a produção e o desenvolvimento local, com organizações comunitárias que vendem produtos regionais, caminhos nos quais o Walmart tem sido pioneiro, com o apoio do Instituto Walmart.
O futuro que queremos
O empreendedorismo social, tema de interesse do Instituto Walmart nos desafios de desenvolvimento local e geração de renda, foi um dos assuntos discutidos durante os fóruns da Rio+20. Como coordenadora do Instituto Walmart, Cintia Rinaldi, assistiu alguns debates que apontaram necessidades de avanços na capacitação de empreendedores e equipes, na identificação de formas adequadas de investimentos e na criação de políticas públicas mais eficazes. Para ela, “o foco das discussões vai ao encontro das causas defendidas pelo Instituto Walmart, considerando seu apoio ao empreendedorismo e ao desenvolvimento dos negócios sociais inclusivos, especialmente aqueles voltados às mulheres”.
Encerrada no dia 22, a Rio+20 teve na mobilização seu saldo mais positivo, com o engajamento de diversos segmentos sociais nas abordagens dos diversos ângulos da sustentabilidade, em busca de consensos sobre modelos mais justos de desenvolvimento. Grupos juvenis, povos indígenas, lideranças empresariais e governamentais, entre outros setores da sociedade, participaram ativamente das sessões plenárias, negociações oficiais da conferência e eventos paralelos, com destaque para a Cúpula dos Povos.
“Avançamos sobre o desenvolvimento sustentável, lançando a agenda do século 21. Trouxemos para o centro do debate a erradicação da pobreza. A Rio+20 não é o teto do nosso avanço, é o início de uma caminhada para construirmos uma sociedade sustentável”, avaliou a presidente Dilma Rousseff, ao término da conferência.
Para a representante juvenil do evento, Brittany Trilford, os resultados da reunião precisam aparecer logo. “Não podemos esperar pelo Rio+40; precisamos fazer algo agora”. A neo-zelandesa de 17 anos foi a vencedora do concurso “Encontro com a História”, organizado por importantes ONGs de ação global, ligadas a questões de clima e meio ambiente. A garota abriu a conferência dos chefes de estado, representando três bilhões de crianças - quase a metade dos habitantes da Terra. Com a voz firme, disse: ``Nós, da próxima geração, exigimos mudanças, exigimos ações para ter um futuro". De acordo com ela, os jovens de hoje se sentem “bravos, frustados e confusos”.
No documento oficial, “O Futuro que Queremos”, divulgado ao final, os capítulos mais relevantes são os que tratam de financiamentos e meios de implementação (relacionados às metas e aos compromissos que devem ser cumpridos). Embora recebidos com algum ceticismo por grande parte da mídia e especialistas, os resultados da Rio+20 podem ser considerados expressivos, não só pelo efeito mobilizador, como pelos 692 compromissos firmados, que, segundo o secretário geral do evento, Sha Zukang, atingiram o valor total de US$ 513 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão).

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