Geração de Renda22.08.11

A atuação das mulheres em negócios sociais e inclusivos

Em agosto aconteceu em São Paulo (SP) o segundo dos quatro encontros do Mapa de Soluções Inovadoras - Tendências de Empreendedores na Construção de Negócios Sociais e Inclusivos.

A iniciativa, do Instituto Walmart (IWM) em parceria com a Ashoka, tem como objetivo debater a partir de experiências concretas os desafios, entraves e inovações que os negócios sociais encontram na promoção e inclusão social e econômica. Dessa vez, o tema debatido foi “O papel das mulheres em negócios sociais e inclusivos”.

Na parte da manhã, Amalia Ficsher, idealizadora do Fundo Social Elas, e Alessandra de França, idealizadora do Banco Pérola, apresentaram suas experiências. Elas também escreveram artigos sobre o tema, que farão parte de uma publicação na qual as reflexões e conclusões deste ciclo de encontros sobre negócios sociais serão publicadas (clique aqui para ler os artigos).

Alessandra França“O microcrédito é, sim, uma ferramenta de inclusão, porque dá independência financeira para a mulher, aumenta sua autoestima e ela passa a desempenhar um papel ativo na sociedade”, diz Alessandra. Mas a questão não se encerra apenas na oferta de crédito, como faz o Banco Pérola, ou na doação de recursos, como faz o Fundo Social Elas.

“A independência financeira da mulher não é simples. Não é dar crédito e emancipá-las. Isso porque a sociedade é complexa, a vida é complexa. Então, o relacionamento da mulher com o microcrédito é apenas uma parte da emancipação”, lembra Amalia. Essa complexidade passa também pelo protagonismo da mulher dentro de casa e em sua comunidade.

Alessandra França

Atuação invisível

Amalia chama a atenção para o fato de que não se trata de incluir economicamente as mulheres, pois elas já fazem parte da economia – mas de maneira invisível, não reconhecida. “O que aconteceria com a força produtiva do País se as mulheres brasileiras resolvessem parar de trabalhar dentro de suas casas, deixassem de atuar como cuidadoras?”, ressalta Amalia.

Segundo a Organização das Nações Unidas, em 2008 as mulheres eram 70% da população mundial, possuíam 10% da renda, 1% dos meios de produção e contribuíam com dois terços das horas trabalhadas.

Para Amalia, a independência econômica das mulheres apresenta um dilema ligado à ética da responsabilidade. “Se por um lado a função que as mulheres desenvolvem de cuidadoras faz delas o motor do desenvolvimento, as construtoras de culturas de paz, defensoras do meio ambiente e o meio para acabar com a fome, desnutrição e ignorância, por outro, se não se transformar essencialmente a divisão sexual do trabalho, as mulheres continuarão sendo injustiçadas”, afirma.

Amalia Ficsher

 Empoderamento

Na parte da tarde, Raimunda Teixeira da Silva, representante do grupo Mulheres Ceramistas do Poty Velho, e Vívian Caroline, diretora do Projeto Samba Reggae Didá,  apresentaram suas experiências como empreendedoras sociais e falaram sobre a evolução dos projetos de geração de renda liderados por elas.

“Ser empreendedora é contribuir com o desenvolvimento da sua comunidade, com o desenvolvimento de sua cidade, de seu Estado. Pra gente isso é empreendedorismo”, diz, orgulhosa, Raimunda. O grupo de ceramistas do qual ela faz parte é composto por 39 mulheres, que hoje vivem exclusivamente do artesanato, e foi reconhecido por prêmios como o Sebrae Top 100 de Artesanato, em 2009, e o Casa Piauí Design, em 2010.

Vívian, do Didá, também se sente orgulhosa pelas conquistas de suas colegas de grupo, que são incluídas economicamente pela confecção de instrumentos e, acima de tudo, são empoderadas ao tomarem consciência de suas capacidades. Ela, que foi uma das primeiras mulheres a pegar nos instrumentos do samba reggae de Salvador (BA), acredita que ainda há muito que avançar rumo ao protagonismo feminino.


Participantes do evento

“Precisamos aumentar as provocações, precisamos ir às ruas e provocar. É preciso que todo mundo amplie esse horizonte onde muito está sendo feito, mas há muito para ser feito ainda. É muito tambor na porta da galera para o pessoal acordar pra vida”, declara Vívian.

Como participação especial, Marcela Alves Monteiro , educadora social do grupo Cidadania Trans, de Santo Amaro, bairro da Zona Sul de São Paulo (SP), deu um depoimento sobre a defesa dos direitos humanos e inclusão econômica das mulheres transexuais. “Não estou querendo mudar o mundo, estou querendo mudar a visão de algumas pessoas, que não sabem que nós, transexuais, somos pessoas como quaisquer outras. A sociedade deveria nos ver como pessoas iguais, que vão contribuir para mudar alguma coisa também. Muitas tentam dizer ‘Ei, eu estou aqui’, ‘Eu preciso de ajuda’, e a sociedade não vê isso”, comenta.

Encontro Anterior

Para o primeiro encontro (saiba como foi), que aconteceu em no último mês de junho, e debateu o conceito de negócios sociais e inclusivos também foi produzido um artigo, assinado pela professora Graziella Maria Comini, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e coordenadora do Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor (Ceats). (Clique aqui para ler o artigo)

Próximos encontros

Tema: Negócios Sociais de Jovens em Área Urbana e Rural
Data: 22 de setembo de 2011
Local: Espaço Araguari - Rua Prof. Artur Ramos, 593 - Jardim Europa - São Paulo
Horário: Das 8h às 17h30


Tema: Gestão de Negócios Sociais e Inclusivos 
Data: 10 de novembro de 2011
Local: Espaço Araguari - Rua Prof. Artur Ramos, 593 - Jardim Europa - São Paulo
Horário: Das 8h às 17h30

Inscrições: Pelo telefone (11) 3060-6377 - Das 09h às 17h, com Marina. Ou pelo email: institutowalmart@joyeventos.com.br

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